13/05/2021

 

Resenha: Pequeno Manual Antirracista

Título: Pequeno Manual Antirracista
Autora: Djamila Ribeiro
Editora Companhia das Letras
Páginas: 136

Hoje, 13 de maio, é o Dia da Abolição da Escravatura no Brasil e eu poderia dizer neste texto que é um dia para celebrar o fim da escravidão, mas sabemos que o racismo não acabou junto com a instauração da Lei Áurea, o racismo ainda existe e não há nada para celebrar, mas sim lutar.

Neste sentido, é muito importante que as pessoas espalhem o discurso antirracista e usem suas vozes para falar sobre o tema. E como blog de literatura, nada mais justo do que indicar uma leitura para vocês.

“Não me descobri negra, fui acusada de sê-la” – Joice Berth

O livro Pequeno Manual Antirracista destrincha as estruturas do racismo de forma MUITO didática. Acredito que esse foi o livro mais didático que li sobre o tema (até agora), é realmente uma introdução a tudo que envolve a desigualdade racial entre pretos e brancos.

A escrita de Djamila Ribeiro não é densa, em algumas horinhas é possível finalizar a leitura com um bom entendimento. Nos 11 capítulos a autora fala em se informar sobre o antirracismo, dar visibilidade a negritude, o racismo internalizado e no ambiente de trabalho, a importância de consumir produção feita por pessoas negras, entre outros temas que são peças-chave para entender o sistema.

Uma parte que me pegou bastante durante a leitura é quando Djamila fala que “foi ensinada que a população negra havia sido escrava e ponto”. Realmente, não me ensinaram que existiram vidas antes de toda essa tragédia, na escola minha professora não contou sobre os reis africanos, sobre a riqueza da cultura dos meus antepassados. Fomos sempre colocados nos papéis de vítimas e de marginalizados. Fomos muito mais que isso, o povo negro foi e ainda é resistente, nossa luta é diária.

“É importante que se tenha uma preocupação real em não desrespeitar os símbolos de outras culturas”

Outra questão importante é o lugar de fala, aqui nesta obra o tema não é aprofundado, mas a autora tem um livro direcionado a esse assunto (Lugar de Fala, 2017). Todos nós temos lugar de fala sobre qualquer assunto, inclusive sobre esse. Brancos não só devem como precisam discutir o racismo, mas claro, levando em conta o seu lugar social. Até porque essa é uma opressão praticada e incentivada por pessoas brancas, que chega ao ponto de pessoas negras reproduzirem discursos opressores. 

“O racismo é algo tão presente em nossa sociedade que muitas vezes passa desapercebido”

O antirracismo precisa ser discutido desde a infância, exemplo: se a minha escola tivesse me passado a verdadeira história dos povos negros, se eu tivesse sido ensinada sobre a pluralidade da minha raça, eu teria tido um ensino antirracista, e com certeza, teria descartado estereótipos que colocam sobre a minha cor.

Ser antirracista é assumir uma postura incômoda, é questionar e não aceitar que opressões continuem acontecendo. “O silencio é cumplice da violência”.

Por isso, mais do que nunca, indico essa leitura a todas as pessoas que não sabem por onde começar a estudar. Não há desculpa para reproduzir falas racistas por aí, o que não faltam são pessoas negras denunciando, escrevendo e ensinando sobre o tema. Pesquise. No final deste livro você encontra referências bibliográficas riquíssimas.

Lembrando que, como a própria autora diz, nós não somos Wikipédia e não temos a obrigação de explicar tudo a hora que a pessoa branca quer. É para isso que existem os LIVROS

Bruna Domingos
Instagram: @brunadominngos

13 comentários:

  1. Oi, Bruna. Como vai? Tenho enorme curiosidade em ler este livro, pois parece-me muito esclarecedor e profundo, embora possua poucas páginas. Sua resenha ficou incrível. Adorei. Abraço!



    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Parece um livro muito bacana, onde mostra uma realidade pouco conhecia para muitas pessoas, vou colocar na lista de livros para ler.
    Beijos.



    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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  3. Oi Bruna,
    Ainda não li, mas está na lista. Acho que informação nunca é demais e não podemos ignorar a situação. Chegaaaaaaaaa!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  4. Oi Bruna,
    Achei bacana que por mais que seja um livro didático, ele não é difícil de entender, e a leitura me parece fluída ao mesmo tempo em que o leitor vai aprendendo. Ótima dica de livro e achei bacana sua atitude em usar o blog como divulgação diante de um dia tão importante.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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  5. Olá, Bruna.
    Acredita que ainda não li nada da autora mas morro de vontade. Preciso encaixar na lista. Infelizmente não é só o racismo que continua mas a escravidão também. Mas tudo muito bem disfarçado. E precisamos ler sobre o assunto sim porque ninguém nasce sabendo e só com muito aprendizado que vamos mudar nossa atitudes.

    Prefácio

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  6. Oi Bru, tudo bem?
    Como você disse, não tem mais desculpas para reproduzirmos preconceito e ignorância, não faltam bons materiais que tratem do tema. Esse livro é fantástico e é uma aula para introduzir esse assunto com pessoas que ainda não fizeram o movimento de repensar suas atitudes.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  7. Oie Bru!!!

    Esse livro está na listinha por motivos de : conhecimento nunca é demais! E se podemos aprender a ser mais respeitosos e empáticos com as pessoas, e não fazer comentários que a gente não acha que é racista, por exemplo, mas é, então é super válido!!

    Beijos!
    Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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  8. Amei a resenha e faz tempo que quero ler esse livro. Tem muito da história que não foi contado e que sempre abre espaço para pessoas demonstrarem ainda mais seu preconceito e ignorância, e nenhum pessoa negra tem que ficar ensinando nada, uma vez que tem tanta informação de fácil acesso.
    beijos
    https://www.dearlytay.com.br/

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  9. Eu achei muito legal de sua parte aproveitar para falar sobre esse assunto, nesse dia tão marcante. De fato a luta não terminou no dia da Lei Áurea, ela continua ainda nos dias de hoje. Eu também me lembro de que nas épocas de escola o povo negro era apenas os pobrezinhos que foram escravizados e depois foram felizes para sempre quando teve a abolição. Mas ninguém falou sobra a vida da população africana antes de serem escravos, muito menos como foram os bastidores da assinatura da lei. Não foi uma luta bonitinha com flores e paz, foi uma luta de sangue e guerra de muita gente. E concordo com você, se assuntos como esse fossem melhor detalhados na escola, as novas gerações teriam uma cabeça mais liberta de estereótipos.
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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  10. Que bacana essa dica, deve ser um livro super interessante, já fiquei interessado em conferir
    Blog Entrelinhas

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  11. Esse livro sem dúvidas deve ser muito enriquecedor! Já coloquei na lista para ler em breve!
    Beijinhos,
    cafecommands.blogspot.com
    instagram.com/mandsreads

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  12. Oi Bruna,

    Esse é um assunto importante e que tem que ser divulgado mesmo.
    Espero ter a oportunidade de ler esse livro logo.

    Boas leituras,
    Karen Gabrieli | Apesar do Caos

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