09/08/2020

 

Resenha: Estamos Bem


Título: Estamos Bem
Autora: Nina LaCour
Editora Plataforma 21
Páginas: 224


A sensação que tive durante toda essa leitura é que Nina LaCour estava enfiando espinhos no meu coração e puxando lentamente como a raiz de uma planta. Tudo parecia doer em cada palavra, cada sentimento, cada ato da personagem e mesmo no silêncio preenchido com palavras não ditas, a autora só estava me machucando o tempo inteiro. Nina descreve esse livro numa crueza de sentimentos que me machucou e cicatrizou tudo numa leitura.

Na trama, conhecemos Marin, uma garota que mora na universidade com sua colega de quarto e amiga Hannah. Sua colega de quarto está saindo para as festas de final de ano e Marin está no aguardo da visita de sua antiga amiga, Mabel. Quando iniciamos a história, entendemos que Marin está sozinha, completamente sozinha e compreendemos que ela e Mabel se afastaram por algum motivo.

Depois disso tudo, o que temos como protagonista é a solidão.

"Eu me pergunto se tem uma corrente secreta que une as pessoas que perderam alguma coisa. Não da forma que todo mundo perde alguma coisa, mas da forma que destrói sua vida, te destrói, e quando você olha para o próprio rosto, não parece mais seu."

A jornada de Marin é montada como um quebra cabeça, cada vez que ela e Mabel são obrigadas enfrentar situações que as deixam desconfortáveis voltamos um pouco para conhecer o passado das duas. Marin morava com seu avô que não existe mais, ela já tinha perdido a mãe muito nova e Mabel era sua melhor amiga e talvez um pouco mais do que isso.

Marin é fácil de gostar, mas seu passado não permite que ela siga em frente e as consequências disso são devastadoras. Sua solidão é tão grande que ela não se reconhece mais e isso ressoa em todas suas interações, suas lembranças e seu jeito de enxergar o mundo.

"Mabel afasta o olhar, e eu me pergunto se é porque estou contando coisas com as quais não consegue se identificar. Talvez pense que estou sendo dramática. Talvez esteja. Mas sei que tem uma diferença entre como eu entendia as coisas e como entendo agora. Eu chorava por causa de um livro, então o fechava e tudo acabava. Agora, tudo ressoa, entra como farpa, infecciona."

A solidão é protagonista junto com Marin. Ela atua como um lembrete que há algo errado todo momento, mesmo assim é fácil de notar que a personagem não é alguém que vive em depressão ou negação. Ela está lidando com o fato.

"O desconhecido é um lugar escuro. É difícil se render a ele. Mas acho que é onde moro a maior parte do tempo. Acho que é onde todos nós vivemos, então talvez não precise ser tão solitário. Talvez eu consiga me acomodar, me aconchegar, construir um lar na incerteza."

Enquanto Marin enfrenta pouco a pouco seu passado para se render ao presente, vamos compreendendo melhor a história que cerca a protagonista e o centro de toda dor, tristeza e solidão que a acompanha. Embora pareça um livro pesado, Estamos Bem faz uma boa mistura de todos seus temas.

Nina LaCour construiu uma história sobre a solidão e alguém acostumada a ela lidando com o passado que a levou até ali, uma história de amizade e amor perdido encontrando caminhos entre a dor, mas acima de tudo uma obra delicada sobre pessoas, suas dores e a luta para estarmos bem.

"O problema da negação é que, quando a verdade chega, você não está pronta."

Vanessa de Oliveira
Instagram: @nessagsr

9 comentários:

  1. Oi Vanessa, tudo bem?
    Parece uma leitura melancólica e reflexiva, daquelas que focam menos em acontecimentos surpreendentes e mais nas várias camadas emocionais dos personagens. Me lembrou um pouco As Parceiras, da Lya Luft, que eu amei.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  2. Oi Vanessa, tudo bem? Parece uma trama muito bem construída e que o leitor fica com vontade de saber o que acontece com a amizade das personagens. Achei bem interessante a premissa.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  3. Oi, Vanessa como vai? Leituras reflexivas com tom melancólico são bastante apreciadas por este que vos escreve, apesar de não ter lido este livro, provavelmente a leitura me agradaria. Sua resenha ficou muito boa. Adorei. Abraço!

    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  4. Eu gosto de personagens que assumem essa postura de enfrentar o problema.
    Não conhecia o livro, mas gostei das citações.

    Um beijo,
    Fernanda Rodrigues | contato@algumasobservacoes.com
    Algumas Observações
    Projeto Escrita Criativa

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  5. Olá, Vanessa.
    Eu não conhecia esse livro ainda, a sua é a primeira resenha dele que leio. Mas vou deixar passar a dica. Pelo menos nesse momento. Estou fugindo de livros assim, como já tem muita coisa acontecendo na vida real estou procurando ler livros mais leves.

    Prefácio

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  6. Eu acho que já tinha visto esse livro, mas não lembro ao certo. A capa é bem marcante e lembrou uma de um dos livros da Pam Gonçalves. Quanto à resenha, acho que a solidão sempre tem um lado bom. Mas nessa história, parece bem devastadora, né? E ao mesmo tempo, pelo que você descreveu parece que ensina boas lições para o leitor. Não sei se embarcaria no momento, mas quem sabe mais para frente. ♥

    Beijos, Carol
    www.pequenajornalista.com

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  7. Gosto muito de livros assim mas meu psicológico não está no melhor momento para uma leitura tão forte, mesmo que a obra pareça ser muito boa.
    Acho que é o tipo de livro em que precisamos estar bem ou acabamos embarcando nessa vibe espinhosa e deixando nosso coração doer. Porém gostei muito da resenha, parece deixar muitas mensagens para gente durante a leitura.

    Abraço ♥
    Larissa - Blog: Parágrafo Cult

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  8. Oi
    essa parece ser uma leitura bem reflexiva e uma jornada para a personagem juntar seus pedaços, leira esse livro e que bom que gostou da leitura.

    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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  9. Nossa, essa parece ser uma leitura bastante reflexiva. Com cenas do passado da protagonista, sinto que eu mesma vou começar a associar de pessoas que se afastaram de mim com o tempo... ou que eu me afastei delas também... Se você se sentiu com espinhos no coração, nem sei como eu me sentiria...
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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