08/07/2020

 

Resenha: Morte matada

Título: Morte matada
Autora: G. G. Diniz
Editora Corvus
Páginas: 38

Morte Matada foi o meu primeiro contato com o sertãopunk, gênero que a autora G. G. Diniz co-criou e trouxe nesta obra. O livro faz parte do Projeto Carcarás, da Editora Corvus, que tem como objetivo publicar noveletas que trazem a verdadeira essência do nordeste, sem estereótipos preconceituosos e escrito pelos próprios nordestinos, claro. 

Cedrinho é uma pequena cidade que está sob o comando do Coronel Gomes, um homem ambicioso e nada bom. Antes da sua chegada, a cidade era tranquila e um refúgio para pessoas que corriam das coleiras impostas nas grandes cidades. Porém, após perceber que as terras eram prosperas, Gomes deu um jeito de tomar o lugar e controlar a população dali sob ameaça e coleiras. Essas coleiras ajudavam os capangas a controlar a população e a eliminar quem se revoltasse contra o sistema.

"O pior de tudo é que, mesmo sem coleira, a gente não faz nada, porque acha que não pode fazer, acha que não pode escapar"⁣

Mas, no meio deles havia uma pessoa que não possuía essa coleira: Heloísa, a única médica na cidade. E mesmo sem formação, ela conseguiu salvar a vida de Luís Felipe, filho do Coronel, por isso teve a liberdade garantida. Não que fizesse uma grande diferença para ela, visto que não havia nenhum tipo de regozijo morar em Cedrinho, pelo menos não mais.

Em uma certa noite, Heloísa estava fumando seu cigarro como de costume, quando de repente percebe uma movimentação estranha vindo de fora. Eram duas moças, uma delas estava bem ferida enquanto a namorada a carregava. A chegada delas muda a rotina de Heloísa, visto que o jagunço de Luís Felipe, o Caveira, não podia nem sonhar com a presença dessas mulheres em Cedrinho.

"Mas quando é pra ajudar pobre, a lei não serve de nada, né?"

Morte matada é uma história rápida, mas cheia de significados. Na minha concepção, o que mais se destacou foram os temas como liberdade e classe. É interessante como em qualquer história, seja ela real ou ficção, as pessoas poderosas estão acima de qualquer regime e não estão nem aí se o mundo está desabando, desde que a vida delas esteja ótima. Como dito na citação acima, a justiça não funciona para os pobres.

O cenário distópico da história é bastante certeiro, pois não foge da realidade brasileira. Esperamos ler descrições tecnológicas extremamente avançadas e um cenário metálico em livros dessa temática, mas G.G. Diniz foi na simplicidade e conseguiu finalizar a noveleta com chave de ouro (e com gostinho de quero mais).

Essa foi a minha segunda leitura para a maratona #PRETATONA e estou muito satisfeita por ter seguido a sugestão do Clã das Pretas em colocar essa leitura na minha lista. Leiam a literatura nordestina!

Bruna Domingos
Instagram: @brunadominngos

9 comentários:

  1. Olá, Bruna.
    Fiquei muito interessada nesse livro, principalmente pela ambientação. Nada funciona para os pobres, é so ver nessa pandemia quem está morrendo, quem é testado na hora e consegue vaga assim que precisa. Infelizmente essa injustiça ainda vai demorar para acabar.

    Prefácio

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  2. Não conhecia esse livro ainda, Bruna. Bom ler histórias de lugares escritas por autores nativos, né? A gente conhece realmente a realidade! Do Nordeste, só li um livro do Bráulio Bessa e amei as suas poesias! ♥

    Beijos, Carol
    www.pequenajornalista.com

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  3. Oi, Bruna como vai? Não conhecia esta obra e, me parece muito atrativa não é mesmo! Fiquei tentado a lê-lo. Ótima resenha. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  4. Oi Bruna,
    Não conhecia o gênero sertãopunk e fiquei muito interessada no livro.
    A história parece muito boa e as críticas que ela faz as deixa mais atrativa ainda.
    Já vou por na minha lista de desejados.

    Bjssss
    https://pensamentossoavento.blogspot.com/

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  5. Oi Bruna,
    Não conhecia a obra, mas confesso que o mais interessante foi descobrir esse 'sertãopunk', um termo novo e que precisa ser conhecido!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  6. Oi, Bruna!
    Achei interessantíssimo esse gênero sertãopunk!
    O que a gente mais vê nessas histórias são estereótipos, e achei bem legal que o livro vai na direção oposta.
    Adorei a resenha :D

    Estante Bibliográfica

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  7. Nossa, que diferente a temática do livro. Muito legal o fato da própria autora nomear o estilo de narrativa dela, criando uma nova. A história parece ser envolvente.

    www.vivendosentimentos.com.br

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  8. Amei o conceito do livro e ainda não conhecia esse gênero.
    Coloquei o livro na minha lista de desejos, até porquê, o preço do e-book está bem em conta.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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  9. Eu ouvi falar de sertãopunk pela primeira vez agora na FLIPOP 2020. Até então, era desconhecido para mim. Mas fiquei bem curiosa para conferir esse livro, achei interessante essa trama, e fiquei curiosa com o desenrolar da "visita" que chega para a médica.
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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