03/06/2020

 

Tudo o que preciso dizer nesta semana: estar aqui é resistir

Nesta semana eu parei para refletir sobre o papel que estou exercendo como mulher preta e cidadã. Será que os meus textos e atitudes estão chegando em alguém? De que forma eu uso as minhas plataformas para conscientizar as pessoas? A resposta é simples, eu exerço o meu papel como mulher preta fazendo o meu trabalho, falando sobre o que é interessante ou necessário que todos saibam. Bom, como eu disse no Twitter há um tempinho, pessoas pretas estão compartilhando suas histórias todos dias, é só você parar e ler.

É realmente lamentável a necessidade de viralizar tragédias para que as pessoas se assustem com a violência que sofremos todos os dias simplesmente por existir. Caso alguém ainda não saiba, desde que o Brasil é Brasil o racismo mata e encarcera mais do que qualquer outra coisa. Livros não faltam, militantes engajados disponibilizando estudos na internet também não faltam. Então, qual é a dificuldade de procurar por eles? Qual é a dificuldade de ouvir? 

Quando ouvimos ou lemos o termo “movimento negro”, é possível imaginar um grupo de pessoas que lutam por uma causa, mas hoje é muito mais do que isso, existe uma pluralidade de pautas. Eu sou o movimento negro, as pessoas pretas são o movimento quando estão em busca dos seus sonhos e a partir disso beneficiam o seu coletivo com conhecimentos e direitos. O movimento negro no Brasil existe desde o período escravocrata, a busca pela abolição, os quilombos, as rebeliões e manifestações fazem parte da nossa história de luta. 

Isso nos permite ocupar espaços maiores para que possamos ser representados em todas as áreas. Temos pessoas que vão muito além do tema racismo e que estão sempre buscando a presença preta na cultura pop, nos games, na literatura, nos streamings, entretenimento, moda, nas profissões tradicionais e nos meios mais informais. Nos filmes e séries que assisto e nos livros que leio eu tento destacar o que melhor representa meu olhar sobre o mundo e que reflete nas minhas experiências pessoais. E quando algo não me representa, tudo bem, estou aqui para falar de tudo. Porque é isso que faço como pessoa que vive em uma sociedade, falo de TUDO. 

E apesar disso, ainda existe um receio da minha parte na hora de me expressar. Quem está sempre online sabe que a qualquer momento pode chegar alguém e invalidar todo o seu discurso por simplesmente não entender que existem outras realidades além da dele. A gente sabe que a qualquer momento uma pessoa preconceituosa pode te ofender, como vem acontecendo com tantos irmãos. 

Em um dos comentários que fiz com uma amiga sobre o documentário Becoming, concluímos que estar aqui é resistir. Esperamos que um dia a sociedade nos entenda com a mesma facilidade que entende e perdoa um opressor.

Contextualizando 
Uma semana depois de perdermos João Pedro (18/05), assassinado pela polícia enquanto brincava dentro da própria casa em São Gonçalo (RJ), Thelminha Assis encerra uma live por causa de ataques racistas em sua conta no Instagram. Um dia depois o Adriel, dono de um perfil literário, sofre ataque racista em sua rede. E então, George Floyd, de Minneapolis (EUA), é morto sufocado pela polícia depois de uma abordagem excessiva. Esse foi o estopim. 

Várias manifestações começaram em busca de justiça, os jovens pararam a cidade e esses protestos foram crescendo por todo país americano. Aqui no Brasil, tomados pelo incentivo de fora e por toda violência e má administração do governo, também iniciaram vários protestos antifascistas e antirracistas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A mensagem principal é a mesma: justiça para aqueles que são oprimidos e mortos pelo racismo todos os dias.

Bruna Domingos
Instagram: @brunadominngos

9 comentários:

  1. Oi, Bruna como vai? Que texto incrível, pois mostra explicitamente o que o negro experiencia no Brasil e no planeta por causa de o racismo. Infelizmente no planeta existem mentecaptos espalhados por todo globo terrestre. Torço para que um dia o racismo cesse entre as pessoas, embora seja quase impossível de isso acontecer. Parabéns pelo texto. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Oi Bru, tudo bem?
    Eu acho muito foda na branquitude que meus pares invalidam toda a necessidade do movimento simplesmente porque não querem admitir que racismo existe e que brancos fazem parte dele, mesmo sem querer. Todo apoio ao movimento negro e que esses acontecimentos sejam o start de uma mudança.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  3. Oi Bruna,
    É horrível saber que tragédias como essas tiveram que acontecer para que as pessoas parassem para observar o quando a nossa sociedade é racista. Eu sendo branca não posso nem imaginar o que vocês já passaram por conta de sua cor, mas fico imensamente indignada que ainda existam pessoas que consigam cometar atos de racismo. Espero muito que todas essas manifestações consigam geram mudanças por todo o mundo.
    Bjsssss


    Helo
    https://pensamentossoavento.blogspot.com/

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  4. Oi, Bruna!
    Que postagem mais linda e necessária <3
    Acompanhando todos esses acontecimentos, foi que eu percebi o quanto eu preciso aprender sobre o movimento e sobre a realidade. É difícil pra mim imaginar, o quanto as pessoas ainda sofrem HOJE por causa da cor da pele.
    Que tudo isso sirva para que a humanidade evolua, e para que o racismo cesse de uma vez por todas :(

    Estante Bibliográfica

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  5. Olá Bruna,

    Eu acho surreal ainda nos tempos de hoje vermos ainda o racismo não só no Brasil, mas no mundo, aqui não somente com as pessoas negras, mas com nordestinos, homossexuais e etc, isso precisa mudar e eu tenho esperança que vai mudar, parabéns pelo excelente texto.


    Bjs.



    https://devoradordeletras.blogspot.com/

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  6. Olá, Bruna.
    Eu sei que nunca vou conseguir entender um por cento do que os negros passam porque sou branca e cheia de privilégios, mas é através de pessoas como você e suas postagem que meus olhos se abrem cada vez mais, por isso continue você está fazendo a diferença sim. O mais triste é te que acontecer casos como esses para que as pessoas ao menos vejam uma pequena parte do que acontece diariamente e com a maior parte da nossa população.

    Prefácio

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  7. Bruna, tenho me questionado muito sobre como posso ajudar nesse cenário! Mesmo não sentindo no dia a dia o que vocês passam. É triste e espero que isso realmente mude, de fato. Que não seja um protesto temporário, digamos assim. E quanto a você, continue fazendo o que faz. Às vezes a gente acha que é pouco, mas faz a diferença. Quanto a mim, quero tentar entender mais através de leituras, filmes, documentários e posts como o seu. ♥

    Beijos, Carol
    www.pequenajornalista.com

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  8. Bruna, acho que esse seu texto é realmente muito necessário, e você, como mulher preta está certíssima de usar seus meios para ter voz, inclusive dentro das redes sociais.
    Eu fiquei chocada com a noticia do homem negro que havia falecido por sufocamento nos EUA, mas é realmente importante se lembrar de que o racismo existe no mundo inteiro, aqui no Brasil muita gente costuma dizer que não existe racismo por que o país é composto por inúmeras raças, mas ele existe sim! Perdemos o menino Miguel, um garotinho preto de cinco anos, e o a mãe dele, além de ter que lidar com a dor de perder um filho, ela ainda vai sempre se lembrar que a vida dele valeu R$20.000, pois foi o preço que a culpada por sua morte pagou para cumprir sua pena em liberdade. Existem muitos Miguel's por aí, que precisam de voz, e é ótimo quando as pessoas começam a ter uma atitude antirracista e apontar as atitudes racistas.
    Que um dia todos possamos nos ver como indivíduos, independente da cor da pele.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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  9. Bruna, seu texto É necessário
    infelizmente a cada dia que passa as pessoas estão mais intolerantes
    a gente tem que tomar muito cuidado com tudo o que está acontecendo com as coisas que falamos
    Esperamos que esses protestos, textos e verdades possam chegar a todos, para que todos possam ser a consciência e compaixão pelo próximo, a fim de que possamos viver um pouquinho mais em paz na sociedade, né?

    Beijocas da Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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