01/03/2020

 

Thelma (2017)


Título Original: Thelma
Título no Brasil: Thelma
Diretor: Joachim Trier
Roteiro: Eskil Vogt e Joachim Trier
Sinopse: Thelma é uma jovem tímida que acaba de deixar a casa dos pais para estudar em Oslo, onde vive seu primeiro amor. Seu relacionamento é logo afetado pela intromissão opressiva de sua família, que com suas crenças religiosas fundamentalistas conseguem afetar a vida da jovem. Quando Thelma fica chateada, coisas estranhas começam a acontecer e esses fenômenos sobrenaturais só aumentam. Enquanto busca respostas sobre esses poderes que ela não consegue controlar, seus pais severos e religiosos se preparam para o pior.


ALERTA DE SPOILERS!


Há uma forma muito simples de descrever Thelma sem entregar nada e deixá-lo ser pego totalmente de surpresa: Thelma é um thriller sobrenatural coming of age com drama sobre uma garota que ao chegar na faculdade longe de seus pais opressivos começa a descobrir estranhos poderes.

Descrever Thelma em sua profundidade é ir bem além disso. Joachim Trier e Eskil Vogt trouxeram todas as dificuldades da transição entre a adolescência e a vida adulta de uma forma que só poderia ser um thriller sobrenatural, acompanhar a jornada dessa personagem em se auto-afirmar nesse mundo é assustador, triste e glorioso.

Thelma (Eili Harboe) é uma jovem que acabou de ir para universidade em Oslo. Quieta, sem conseguir fazer muitos amigos, ela se sente muito sozinha e não ajuda que seu pai Trond (Henrik Rafaelsen) e a mãe cadeirante, Unni (Ellen Dorrit Petersen) acompanhem toda sua vida por telefone. Eles acompanham seu horário de aula pela internet e ligam constantemente fazendo conversas passiva-agressivas sobre os perigos da faculdade e como isso não pode corromper a filha.

É quando um dia, na biblioteca, Thelma tem o que parece ser um ataque epilético ao mesmo tempo que pássaros começam a se chocar contra as janelas da biblioteca. Ela procura vários médicos para saber a causa de seus ataques.

Thelma então conhece Anja (Kaya Wilkins), uma garota que estava na biblioteca quando aconteceu seu ataque e as duas começam a se aproximar, o que leva Thelma a começar a se apaixonar. Thelma e Anja passam vários momentos do filme juntas se conhecendo, conversando e descobrindo o que as duas tem em comum. Há alivio em todas as cenas por parte de Thelma e é visível em seu rosto e comportamento como ela parece estar em paz.

Com a vida universitária de festas, bebidas e a educação religiosa de Thelma juntamente com seus sentimentos conflitantes por Anja, ela começa a se sentir dividida entre a pessoa que ela está se tornando e a criação de seus pais.

O conflito interno de Thelma é a parte que mais ressoa no filme. Tudo que se passa pelo seus poderes, pelas cenas chocantes, aos seus medos, alegrias, são parte de seu conflito. Inclusive em um diálogo extremamente triste de se assistir vemos Thelma em lágrimas dizendo que não suporta mais expressando raiva somente com a frase: "Por que eu não posso apenas ser eu mesma?"

As investigações das convulsões e seus sentimentos em conflitos finalmente explodem para a descoberta que ela tem poderes telecinéticos e outras habilidades (despertados em momentos de tensão ou quando ela fica muito nervosa) que a tornam muito poderosa.

Ou muito perigosa.

Dependendo muito do ponto de vista seu como telespectador, Thelma pode ser vista como um adulto muito capacitado, um monstro ou uma vitima infeliz de seus poderes. Ela pode ser um. Ou os três. Não há tons definidos. 

De qualquer forma, é mais doloroso assistir cenas que Thelma tenta se encaixar na vida universitária do que qualquer outra cena chocante. Seu isolamento por conta de seus poderes e falta de compreensão de si mesma também parte o coração.

O pai e a mãe de Thelma são o confronto direto de suas crenças e valores com ela. Os dois não estão preparados para vê-la se tornar uma mulher que controla seus poderes e particularmente por nunca entender ou tentar compreender a filha eles acharam melhor suprimir o que havia dentro dela com a religião.

Quanto mais fundo Thelma aprende sobre seus poderes, mas ela descobre as consequências e as escolhas difíceis que ela tem que fazer. Essas escolhas não afetam só a ela, mas a todos que estão a sua volta.

Sendo o quarto filme de Joachim Trier e indicado pela Noruega na corrida do Oscar em 2018, Thelma é um filme que vai muito além do que seu gênero e entrega um filme as vezes chocante, as vezes melancólico, mas em geral, um filme intimo e fantástico sobre pertencimento e encontrar a si mesmo.

O filme está disponível na netflix.

Vanessa de Oliveira
Instagram: @nessagsr

7 comentários:

  1. Oi, Vanessa como vai? Esses conflitos internos de Thelma certamente são o ponto máximo do longa metragem. Não é nada fácil encontrar a si mesmo tendo uma educação religiosa tão opressora, com proibições dos prazeres mundanos visto como algo pecaminoso a protagonista experiencia maus bocados até encontrar a si mesma. A premissa é interessante e eu particularmente gosto de filmes assim, apesar de assistir poucos filmes. Sua resenha está maravilhosa, pois nos deixou a par de tudo sem mesmo ter assistido ao filme, despertando a curiosidade por assistí-lo. Parabéns. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Lendo a resenha eu me lembrei de Carrie, A Estranha.
    Gostei desse filme, parece ser do tipo que gosto, com suspense e drama psicológico. Vou colocar na minha lista para assistir futuramente.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

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  3. Amei sua resenha, ainda não conhecia esse filme, para quem gosta de drama psicológico e suspense, sem dúvida, é um filme que vale a pena! ❤

    https://www.kailagarcia.com

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  4. Oie Vanessa!
    Que interessante as reflexões que ele traz sobre conhecer a nós mesmos... Com um tema diferentão e super poderes hehehe
    Não sei se assistiria agora porque to acompanhando uma serie e quero ver por lugares incríveis, mas vou por na lista heheheheh

    Beijocas da Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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  5. Oi Vanny!
    Confesso que a premissa do filme em si nao me atrai. Não e algo que eu costume assistir e apesar dos elogios, sigo com a mesma impressão. Parece algo bem mais Cult.

    Abraços
    Emerson
    http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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  6. Oi, Vanessa!

    Fiquei interessada pela parte sobrenatural, gosto de coisas do estilo, então me deixou curiosa, parece ser uma história bem promissora. Adorei a resenha!

    xx Carol
    https://caverna-literaria.blogspot.com/

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  7. Olá, Vanessa.
    Já não gostei dos pais dela desde o começo com esse negocio de não dar espaço para a garota. Depois então já imagino o que vão virar. Se der vou assistir ele, mesmo não assistindo muitos filmes.

    Prefácio

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