23/02/2020

 

Mais Forte que Bombas (2015)

Título Original: Louder Than Bombs
Título no Brasil: Mais Forte que Bombas
Diretor: Joachim Trier
Roteiro: Eskil Vogt e Joachim Trier
Sinopse: Uma exposição que celebra a fotógrafa Isabelle Reed três anos após sua morte prematura traz o filho mais velho dela, Jonah, de volta para a casa da família, forçando-o a passar mais tempo com seu pai Gene e seu afastado irmão mais novo Conrad do que passou em anos. Com os três sob o mesmo teto, Gene tenta desesperadamente se conectar com seus dois filhos, mas eles precisam lutar para conciliar seus sentimentos sobre a mulher da qual se lembram de maneiras tão distintas.


ALERTA DE SPOILERS!


Como lidamos com a memória de quem partiu?

Mais Forte que Bombas não se propõe a responder a essa pergunta, na verdade, o terceiro filme de Joachim Trier está interessado em mostrar como memória e a tristeza e até momentos fugazes estão entrelaçados quando pensamos em alguém que partiu. Como a mesma pessoa pode ser vista e amada de maneiras diferente por pessoas na qual ela convive.

Isabelle Reed (Isabelle Huppert) era uma famosa repórter de guerra que sofreu um acidente de carro. Três anos depois, uma exposição em sua homenagem resolve trazer seus trabalhos mais famosos, procurar por novos que ela possa ter deixado em casa e remexer em velhas feridas. O jornalista amigo de Isabelle diz para Gene (Gabriel Byrne), ex-marido de Isabelle, que irá escrever um artigo e a verdade sobre a morte da fotógrafa.

Esse é o enredo apresentado para começarmos a acompanhar de forma estilhaçada como se uma bomba tivesse sido explodido na vida dessa família. Pulando nas memórias, fragmentos e estilhaços, acompanhamos Gene (ex-marido), Jonah (filho mais velho) e Conrad (filho mais novo) lidar com as memórias de Isabelle.

Conrad (Devin Druid) não sabe que sua mãe cometeu suicídio. E Jonah (Jesse Eisenberg) e Gene parecem ter opiniões diferentes sobre contar ou não. Conrad é um adolescente no ensino médio que não consegue se conectar com o pai, ele não se conecta com muitos amigos e ele foge do clichês de adolescentes rebeldes enquanto acompanhamos sua jornada de tristeza pela perda da sua mãe e seus aprendizados sobre necessidades, desejos e segredos.

Jonah, o filho mais velho, acabou de formar uma família e também parece ter dificuldades de se conectar com sua esposa. As memórias que guarda da mãe e a descoberta de coisas que sabia dela, o faz questionar como anda suas escolhas atuais e seus fragmentos de memória de como ele realmente a enxergava.

Gene se ressentia pela mulher não poder fazer parte da família como uma família. Parte do relacionamento entre eles parecia não funcionar.

O último ponto de vista fragmentado que Mais Forte que Bombas nos apresenta é o da própria Isabelle Reed. Mesmo tendo partido e não fazendo mais parte da família, suas memórias ainda afetam fortemente aqueles que ficaram e muitas das suas ações são mostradas pelo seu ponto de vista e vemos ela era completamente diferente do que os jornais, seu marido ou mesmo seus filhos enxergavam.

Todos esses personagens navegaram em seu campo minado de ressentimentos, dor, alegria, luta e procuraram em memórias algo que pudesse lhes trazer conforto ou raiva ou qualquer sentimento que exprimisse algo pela perda.

Como estilhaços de uma bomba, de forma lenta e gradual, Mais Forte que Bombas compõe um quebra cabeça de memórias, lutos e pessoas quebradas tentando reconstruírem os laços que a formavam como família.

O filme está disponível na netflix.


Vanessa de Oliveira

6 comentários:

  1. Oi, Vanessa como vai? Este filme me parece que é o melhor deste diretor. Pelo menos em um primeiro momento, foi esta impressão que tive. Adorei a resenha, pois despertou minha curiosidade por assistí-lo. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Olá, Vanessa.
    Eu não assistiria porque com certeza vou encontrar alguns gatilhos que não estou preparada no momento. Mas acho interessante essa abordagem porque realmente cada um tem memórias diferentes de quem se foi.

    Prefácio

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  3. Oi Vanessa,

    É um filme bem interessante e intenso, não sei se veria no momento, mas com certeza é uma dica que deixo anotada por aqui.

    Bjs e uma boa semana!
    Diário dos Livros
    Conheça o Instagram

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  4. Que bom que está na netflix. Já fiquei curiosa para conhecer esse filme.

    www.vivendosentimentos.com.br

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  5. Oi Van!
    Eu me interessei pelo tema e também achei interessante pelo que você falou que é a forma não como a mídia mostra, mas sim como as pessoas dentro da situação veem... Fiquei interessada, acho que vou assistir em breve!!!!

    Beijocas da Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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  6. Ainda bem que tem na Netflix porque fiquei muito interessada. Muitas vezes as pessoas após partirem, continuam impactando enormemente a vida dos que ficaram para trás, de forma positiva ou negativa.

    Abraço,
    Parágrafo Cult

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