16/10/2019

 

Resenha: O ódio que você semeia

Foto tirada para o Instagram do nosso clube de leitura Cansei de Série (@canseideserie)
Título: O ódio que você semeia
Autora: Angie Thomas
Editora Galera
Páginas: 378

Starr Carter é uma adolescente de 16 anos que mora com sua família em Garden Heights, bairro periférico onde os moradores são negros, porém ela estuda numa escola particular chamada Williamson, predominada pelos brancos e ricos. Existe um constante conflito em como ela acha que deve se comportar em cada lugar que está. Em sua casa ela se sente a vontade, fala gírias, brinca, briga, etc. Na escola, para ser aceita pelos amigos, ela conversa usando o mínimo de gírias possíveis e engole muita situação para não passar uma imagem de briguenta do gueto. 

Numa sexta-feira antes das férias de primavera terminar, Starr vai para uma festa com sua amiga Kenya e lá ela encontra o seu melhor amigo de infância, Khalil, que também foi seu primeiro amor. É uma mistura de sentimentos, Starr fica feliz por revê-lo e também se sente um pouco balançada. Após uma confusão os dois saem juntos da festa e seguem o caminho para casa. Eles tem uma conversa saudosa, falam um pouco sobre suas vidas e o significado das músicas antirracista de Tupac Shakur, o que dará todo sentido ao nome do livro no original em inglês (The Hate U Give). 

Tupac disse que Thug Life, "vida bandida", queria dizer "The Hate U Give Little Infants Fucks Everybody", ou "o ódio que você passa pra criancinhas fode com todo o mundo".

Enquanto conversavam, o carro é parado pela polícia, nessa hora Starr se lembra de toda orientação que seu pai lhe deu sobre como agir nessas situações, coisas que só quem é negro e periférico deve estar ciente. Mas Khalil não teve essa orientação de sua família e ao sofrer abuso de autoridade e ser colocado para fora do carro, ele leva três, veja bem, TRÊS tiros por se inclinar para conferir se estava tudo bem com Starr. 

Pela segunda vez, Starr presencia alguém que ama ser assassinado, mas agora pelas mãos de quem deveria proteger a população. A partir desse momento, acompanhamos a saga de uma jovem que quer se proteger por ter sido a única testemunha ocular do crime, ao mesmo tempo em que quer justiça contra uma polícia racista presente em sua comunidade. 

“Pessoas como nós em situações como essa viram hashtags, mas raramente conseguem justiça” 

Este livro foi a nossa leitura do clube Cansei de Série no mês de setembro, é muito difícil falar sobre uma obra tão bem escrita e explicada como essa, a minha única missão aqui é dizer o porquê todo mundo deve ler este livro. O que aconteceu com Khalil não é uma ficção, isso acontece desde sempre dentro das comunidades e bairros periféricos. Não só nos Estados Unidos, mas aqui no Brasil temos sido noticiados de erros gravíssimos cometidos pelo Estado. E não sei se deveríamos chamar de erro, eu prefiro ser realista e dizer racismo. Pois fica bem claro o objetivo do Estado de eliminar a população negra. 

Desde o início podemos perceber a narrativa sensível de uma personagem que está em constante luta consigo mesma. O livro mostra o quanto a justiça é seletiva e o quanto a mídia contribui para o veredito final. Graças ao sensacionalismo, o policial branco que atirou em Khalil divide opiniões e ainda consegue culpar a vítima procurando justificativas para o crime. Angie Thomas descreve de forma fácil o processo judicial em volta do caso, os dias que se passam, a recepção do público e os diversos olhares. A morte de Khalil desencadeia protestos e muita luta. Este é o momento em que Starr entende que sua voz é uma arma contra o racismo. 

“Às vezes, você pode fazer tudo certo, e mesmo assim as coisas dão errado. O importante é nunca parar de fazer o certo” 

Alguns personagens fizeram a diferença na história, como por exemplo, Lisa Carter, a mãe de Starr. Uma mulher consciente de sua realidade e por isso busca proteger a família de toda forma. E esse é um dos motivos pelo qual Starr e seus irmãos estudam em uma escola fora do bairro. Lisa sabe que um ensino de qualidade não é depositado dentro da escola de Garden Heights por puro descaso. Então, ela sempre trabalha dobrado para poder pagar a escola particular dos filhos. Para Lisa, é possível lutar contra a injustiça sem correr perigo de vida. Afinal, ninguém luta contra algo quando está morto, não é mesmo? A dificuldade maior é convencer seu marido. 

O pai de Starr, Maverick Carter, é um militante negro que desde cedo ensinou os mandamentos do partido dos Panteras Negras para os filhos. Ele acredita que para lutar por sua comunidade é preciso estar lá dentro, mas não percebe o quão perigoso aquele espaço está se tornando. Os constantes protestos, a polícia e as brigas de gangues vão ser pontos que pesarão em sua decisão de ir embora ou ficar. 

“Ter coragem não quer dizer que você não esteja com medo. (…) Quer dizer que você segue em frente apesar de estar com medo.” 

O ódio que você semeia é o livro de estreia da escritora Angie Thomas, a leitura é muito fluída, é possível visualizar tudo que acontece em imagens na cabeça. Este livro entrou para a lista das minhas melhores leituras desse ano. Você não vai querer parar até ver o último ponto dessa história.

Bruna Domingos
Instagram: @brunadominngos

Compre na Amazon: https://amzn.to/32jsQQQ

9 comentários:

  1. Olá, Bruna.
    Eu quero muito ler esse livro mas ainda não consegui. Infelizmente o racismo está enraizado nas pessoas. Aqui perto da minha cidade está acontecendo um caso de uma rapaz que estava fotografando em seu horário de almoço e os moradores do local já colocaram nas redes sociais denunciando ele simplesmente porque ele era negro. E ele e o pai forma em duas delegacias e não quiseram registrar a ocorrência. Só registraram quando foi parar na tv.

    Prefácio

    ResponderExcluir
  2. Amei sua resenha, Bruna. Só li comentários positivos sobre essa história. Quero muito conhecer mais a fundo! ❤

    https://www.kailagarcia.com

    ResponderExcluir
  3. Quero muito ler, porque nunca assisti o filme também. Todo mundo elogia a história. Ela deve marcar o leitor, com certeza!

    www.vivendosentimentos.com.br

    ResponderExcluir
  4. Oi Bruna,
    Eu já li esse livro e foi uma experiência bem intensa, fora da minha zona de conforto.
    Gostei bastante e já quero ler o outro livro da autora que chegou agora aqui no Brasil.
    Beijos
    https://estante-da-ale.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  5. Esse livro é maravilhoso e posso dizer que me marcou de uma forma muito positiva. Nos faz ver as coisas com outro ângulo e isso foi incrível para mim. Muitas vezes nos deixamos manipular pela mídia ou julgamos as pessoas sem conhecê-las. Fico feliz que o racismo seja um tema cada vez mais falado porque é realmente necessário conversar sobre.

    Abraço,
    Parágrafo Cult

    ResponderExcluir
  6. Oi Bruna,

    Eu não li o livro, mas assisti ao filme e amei demais!
    Eu acabei de receber o novo livro da autora e já estou curiosa com a leitura!

    Bjs e um bom fim de semana!
    Diário dos Livros
    Conheça o Instagram

    ResponderExcluir
  7. Se entrou na sua lista de melhores ja da pra eu comecar a pensar.

    http://juliamodelodemodelo.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  8. Oi
    esse livro é muito bom e super recomendo a todos lerem, foi um dos melhores livros que li no ano que ele foi lançado, gostei da sua resenha.

    http://momentocrivelli.blogspot.com

    ResponderExcluir