11/10/2019

 

Crítica Comum | Coringa (2019)

Assistimos o filme do Coringa na pré estreia, na quarta-feira, dia 02 de Outubro, às 20h30. Fazia tempo que eu não ficava tão ansioso para um filme (teoricamente) da DC, e todo o hype gerado acerca deste foi positivo. O filme surpreende do início ao fim com o seu tom dramático, sujo, escuro e atormentante. Tudo o que está em cena colabora para que aos poucos você sinta a angústia e os surtos de loucura que Arthur Fleck vivencia. É a construção de um personagem, a transição de uma pessoa "comum" para um vilão psicótico.
O visual do filme inteiro é sombrio, puxando para tons amarelados, que transmitem uma sensação de "sujeira", coisa velha. A trilha sonora belíssima orquestrada causa incômodo e cresce em volume nos momentos de ação e principalmente nos momentos de loucura do personagem. Loucura essa que é explicada ao longo da trama, revelando que a mãe do próprio Coringa é tão doente mentalmente quanto ele se tornou no fim.

SPOILERS A PARTIR DAQUI!

O Arthur é uma pessoa fracassada perante a sociedade. Trabalha em um lugar ruim como palhaço, ganha mal, e vêm de distúrbios psicológicos que foram tratados durante anos de internação e consultas a psicólogos. Aparentemente curado, tenta seguir a vida cuidando dos últimos dias de vida de sua mãe, morando em um apartamento pequeno e simples no subúrbio da cidade. Sofre agressões constantemente por seu biotipo fraco, e por ter uma anomalia cerebral que o faz dar risada das coisas mais inapropriadas o possível. Esse é o resumo de um personagem brilhantemente interpretado por Joaquin Phoenix, que emagreceu PRA CARAMBA para este personagem. O jeito que ele dá a risada do Coringa é fantástico, pois você consegue ver que em meio ao riso, por dentro, Arthur está sofrendo mais do que nunca.
As pessoas não tem piedade. O sistema de tratamento público para pessoas com transtorno mental cada vez piora, chegando ao ponto de cortar sessões de terapia e remédios. Arthur perde o emprego na agência de palhaços após levar para um hospital infantil uma arma que um dos integrantes da trupe lhe deu para sua auto-proteção. Tudo, absolutamente tudo ao redor em sua vida triste, somando com a mãe que necessita de cuidados especiais e as próprias características mentais de Fleck são a conta perfeita para o surgimento de um vilão completamente atormentado.

Após ganhar a arma de seu colega de trabalho e ser demitido por isso, Arthur assassina três pessoas dentro de um metrô, após ser duramente agredido por elas. Essa cena ficou muito bem feita, visualmente e com uma impecável trilha sonora, me lembro de ficar arrepiado assistindo. Ele assassinou três pessoas e gostou daquilo, foi ali o gatilho para que as mortes que ele causaria futuramente o dessem mais "paixão" do que qualquer outra sensação.

A descoberta de que sua mãe têm transtornos mentais aliados a todas as mentiras que ela já contou para ele, fez com que Arthur matasse a própria mãe asfixiada na cama de um hospital. No começo do filme, cenas de amor e ternura entre os dois mostravam que apesar de tudo, eles tinham uma boa relação entre os dois, o que tornou esse assassinato muito chocante.

Arthur também mata o colega de trabalho que lhe deu a primeira arma, de uma forma tarantinesca, os cinéfilos diriam.

O final do filme mostra o aparecimento do Coringa, pois Arthur é chamado para um talk-show após um vídeo dele fazendo stand-up em um bar ser ridicularizado na televisão. O Coringa dá um discurso impactante e mata, ao vivo, durante o programa, o apresentador mais famoso do país: Murray Franklin, muito bem interpretado pelo mestre Robert De Niro. O assassinato de pessoas poderosas resulta em uma rebelião em massa por toda Gotham City, muitos vestem-se de palhaço, e as cenas são lindas. O que dizer então da referência à história do Batman, com a recriação da cena em que os pais de Bruce Wayne morrem no beco após a saída do cinema. Fantástico!!!

O filme em si mostra que qualquer um de nós podemos nos tornar um Coringa, na sua pior forma. É sublime ver que não há poderes nem fantasias, não é heróis e vilões soltando raios e fazendo coisas fantasiosas. Há um ser humano, doente, que não teve tratamento adequado, desprezado por toda a sociedade e que por suas doenças transforma-se em um psicopata assassino.


A nota para esse filme não poderia ser outra, eu realmente espero que Coringa conquiste alguma estatueta nos Oscar do ano que vem!




ESTRELA DE HONRA! Este filme é tão bom, é tão épico que dificilmente será superado.




Fabrício Lopes
Instagram: @Fabrsim

3 comentários:

  1. Oie,
    Estou super ansiosa para assistir Coringa, amanhã!
    Como ainda não assisti, pulei a parte do spoiler, mas fiquei mais empolgada pela classificação que você deu.
    Beeeijoo!!!

    Grazy Carneiro
    Meus Antídotos

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  2. Amei sua resenha, confesso que não gosto de filmes do gênero, por isso, não o assisti. Mas quem foi ver, só tem elogiado! ❤

    https://www.kailagarcia.com

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  3. Olá, Fabrício.
    Minha amiga foi assistir e amou o filme. E também estou vendo bastante comentários positivos sobre ele. Assim que der vou assistir.

    Prefácio

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