Last Hope: É só uma faísca

Hoje eu gostaria de indicar uma música, talvez você conheça, mas de qualquer forma eu quero que a letra dela te sirva de lembrete.


Entre tantas bandas que eu gosto de ouvir, Paramore é a minha favorita desde a adolescência e permanece viva no meu coração. É difícil sentir uma identificação tão forte com todos os trabalhos de um artista, mas comigo aconteceu e ainda me surpreende.

Eu conheci a banda Paramore no auge dos meus 14 anos, eles já tinham lançado três álbuns: All We Know Is Falling, Riot e Brand New Eyes. Ainda tenho dúvida se a primeira música que ouvi foi Brick By Boring Brick ou The Only Exception, mas sei que não foi na primeira vez que me interessei. Eu passava o dia inteiro assistindo o canal MTV e por causa das repetições dos clipes fui pesquisar sobre a banda. Então eu ouvi uma música, mais uma, mais uma e quando percebi já estava indo no Google salvar fotos para colocar no papel de parede do celular. Eu pesquisei todos os trabalhos da banda, isso inclui álbuns, demos, live, singles e covers... Tudo. A cada letra eu me identificava de alguma forma, elas falam muito de sentimento, amizade, amor, confiança e amadurecimento.

O tempo passa e percebemos que para amadurecer é preciso dar adeus para algumas coisas e esperar sempre o melhor. No quarto álbum, o selfie-titled “Paramore”, tem uma música chamada Last Hope (Última Esperança), ela fala sobre esperar que tudo melhore e que não devemos ficar no controle o tempo todo, e sim, deixar acontecer. Essa música é a minha indicação, quero falar um pouco sobre a mensagem que a letra traz.

I don't even know myself at all (Eu nem sequer me conheço)
I thought I would be happy by now (Pensei que a essa altura eu seria feliz)
But the more I try to push it, I realize (Quando mais tento forçar isso, mais percebo que)
Gotta let go of control (Tenho que me livrar do controle)
Gotta let it happen (Tenho que deixar acontecer)

Este trecho acima é o início da música, o significado dela é, basicamente, o momento em que  você acha que está conseguindo chegar em algum lugar, mas a vida vem para mostrar que não é bem assim, ainda existe um longo caminho. Em alguns momentos bate o desespero porque o tic tac do relógio não para, mas a sanidade dá um "olá" e pede calma, temos nosso próprio tempo, já dizia Renato Russo.

It's just a spark (É só uma faísca)
But it's enough to keep me going (Mas é o suficiente para me manter seguindo)
And when it's dark out (E quando está escuro)
No one's around, it keeps glowing (E ninguém está por perto, ela continua crescendo)

Quando eu ouço Last Hope entro em sintonia comigo mesma, é como se fosse um lembrete: "deixa acontecer, relaxa e segue". Palavras que nosso consciente conhece, palavras que ouvimos O TEMPO TODO das pessoas na internet e que por algum motivo, talvez a autoestima, não internalizamos. Temos que ser lembrados o tempo todo de que é preciso deixar acontecer, a escuridão vem, mas a faísca ainda está aí e só tende a crescer.

Não há uma conclusão para este texto, estamos tentando seguir e acompanhar a faísca. It's just a spark. Melhor do que um livro de autoajuda, é ouvir uma música que fala com você, em mim o efeito é imediato. Antes de finalizar, quero deixar mais um trecho de Last Hope, e independente do seu gosto pela melodia, espero que a letra te lembre que amanhã é um novo dia.


And the salt in my wounds (E o sal nas minhas feridas)
Isn't burning any more than it used to (Não está queimando mais do que de costume)
It's not that I don't feel the pain (Não é que eu não sinta a dor)
It's just I'm not afraid of hurting anymore (Apenas não estou mais com medo de me machucar)
And the blood in these veins (E o sangue nessas veias)
Isn't pumping any less than it ever has (Não está pulsando menos do que já esteve)
And that's the hope I have (E esta é a esperança que tenho)
The only thing that I know is keeping me alive (A única coisa que conheço está me mantendo viva)



Bruna Domingos
Instagram: @brunadominngos

Crítica Comum | X-Men Fênix Negra


A última postagem sobre cinema neste blog foi sobre um filme que inicialmente teria um "hype" negativo devido a um personagem em específico, e que surpreendeu bastante na telona. Fênix negra também possuiu um hype negativo, com muitos fãs pedindo o adiamento do filme nas redes sociais na época dos primeiros trailers, atrasos na produção e finalização do filme também ocorreram e o resultado não foge de um "ok".

Imagine quando você faz um projeto, seja na escola/faculdade/trabalho, ele é aprovado, mas você sabe que poderia extrair muito mais daquela ideia? Pois bem, é assim que eu posso resumir o novo filme dos X-Men, e ainda bem que ele culmina uma fase média-ruim da franquia que foi vendida da Fox para a Disney.

Sem spoilers, é visível nos trailers que o filme tem começo meio e fim sem surpresas, praticamente um reboot de X-Men 3 (O Confronto Final) de 2006 com uma roupagem nova. Seria realmente necessário?

Você sabe que o objetivo desta "análise" não é ser crítica de forma tradicional, analisando com profundidade desenvolvimento de personagens, atuações, fotografia, efeitos especiais e blá blá blá. Porém, é inevitável dizer que este filme é recheado de frases óbvias, e até mesmo uma pessoa comum como eu e você veria claramente: História fraca que não empolga. É o "dá pra passar" que está nas 2 horas de projeção.

Pontos positivos são os efeitos visuais atualizados, se é que posso dizer assim. A Jean Grey e todos os outros mutantes dos anos 90 estão bem feitos, a cena inicial no espaço e também a cena clímax estão bem trabalhadas visualmente, mas não empolgam. Pode ser que filmes tão bons com alguns momentos impactantes de Vingadores Ultimato, Capitã Marvel, e até mesmo Shazam nos tenham acostumados a batalhas e cenas de ação mais trabalhadas, mas que poderia ser muito mais devastador, poderia. 

Menção honrosa para a atuação de Sophie Turner que carrega muito bem o drama e confusão da personagem, James McAvoy e Michael Fassbender como Professor Xavier e Magneto, respectivamente, condizem com os filmes anteriores da saga e também estão acima da média, Kodi Smit-McPhee surpreende fazendo o Noturno, e os demais atores se esforçam bastante nos seus personagens, pelo menos é essa a impressão. Mas volto a dizer que a história é fraca, e com o peso do elenco desse filme, poderia ter sido muito mais.

Rodeado de problemas desde o planejamento do filme até atrasos na execução e pós produção, X-Men Fênix Negra fecha uma era de praticamente duas décadas dos mutantes mais poderosos do universo nas telonas, pelo menos por enquanto. Eu torço muito para que a Disney junte-os em histórias com outros heróis da Marvel e que somem forças, porque sabemos muito bem que a Jean Grey é um dos seres mais poderosos de todo o universo dos quadrinhos.

Infelizmente este é o primeiro filme nota 2 de 5 aqui no blog. Mas vamos concordar que nem todos os filmes serão cinco estrelas, não é mesmo?





DE MAL A PIOR!  Vale uma meia entrada no dia mais barato do cinema e olhe lá.

Fabrício Lopes
Instagram: @Fabrsim

Livros que transformam, ensinam e encantam


Além de entreter, os livros tem o incrível poder de moldar e amadurecer seus leitores. Se você lê desde a adolescência, vai conseguir sentir a diferença quando se comparar a uma pessoa não leitora. Esse exemplo eu tiro de mim, o hábito de ler veio com os meus 14 anos e depois disso a minha vida, a minha capacidade de raciocínio e escolhas melhoraram de forma significativa. 

Neste post, eu quero fazer três indicações de livros infantojuvenis que certamente vão fazer a diferença na vida de qualquer pessoa, principalmente na faixa dos 12 aos 17 anos. Mas independentemente da idade, se você ainda não leu nenhum destes eu espero que tenha a oportunidade de se apaixonar por essas histórias. Elas alimentaram a minha criatividade e me fizeram acreditar que sempre há magia no mundo, mesmo que tudo pareça tão difícil. Aliás, coincidentemente, os três livros a seguir tem magia envolvida em suas narrativas.

1 - Ponte para Terabítia, de Katherine Paterson
Este livro conta a história de Jess, um garoto que sonha em ser o campeão de corrida da escola. Ele e sua família moram em uma propriedade rural, e é lá que ele treina durante todo o verão, acordando toda manhã para se dedicar ao seu esporte favorito.

Tudo está indo bem, quando de repente chega na escola uma aluna nova e que ainda vencerá Jess e Gary (rival de Jess) na corrida. O garoto não se conforma e fica corroendo uma raiva e uma insatisfação dentro de si. Mas Leslie, a aluna nova, não se afastará de Jess, pelo contrário, nascerá uma grande amizade no meio dessa "rivalidade". Jess e Leslie se tornarão grandes amigos e juntos vão construir Terabítia, usando uma parte inexplorada de um bosque perto de suas casas. 

Eu estava na escola quando comecei a ler esse livro e finalizei numa noite chuvosa, coincidindo com o clima das últimas páginas da história. Foi um livro que me marcou bastante por não ter ideia do que aconteceria no final. Fui pega de surpresa. Ponte para Terabítia me fez rir, chorar e acreditar que a amizade verdadeira é capaz de realizar coisas incríveis


2 - Coração de Tinta, de Cornelia Funke
Este livro conta a história de Mortimer, um ótimo restaurador de livros, que teve a infelicidade de ter em mãos um livro chamado Coração de Tinta. Mortimer cultivava um amor imenso pela literatura, mas o estranho era que ele nunca lia para sua filha Meggie.

Em uma noite chuvosa os dois receberam a visita de um homem chamado Dedo Empoeirado, sem entender o que estava acontecendo, Meggie apenas obedece seu pai e se prepara para se mudar. Depois dessa visita tudo começa a ficar estranho para a menina, mas o que ela não sabia era que seu pai tinha o incrível dom de trazer para vida real os personagens de qualquer livro que ele pudesse ler (por isso Mortimer nunca lia para sua filha) e Dedo Empoeirado era um desses personagens. E por que eles sempre estavam se mudando? Mortimer fugia de um dos personagens do livro Coração de Tinta, que ele mesmo tinha trago para vida real, o temido se chamava Capricórnio e estava sempre atrás de Mortimer para pegar o livro de volta.

Coração de Tinta é um livro que só de pensar já me traz a sensação de um dia frio e um cafezinho, pois foi durante o inverno que comecei a lê-lo. Assim como Ponte para Terabítia, eu o peguei emprestado na biblioteca da escola e lia sempre que chegava em casa depois da aula. Um livro cheio de magia e amor. Através dele eu desenvolvi a minha criatividade e fui incentivada a devorar mais e mais livros. A escrita de Cornelia Funke é tão maravilhosa que ela coloca em você uma vontade grande de ser um bookaholic.


3 - O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
O avião de um piloto sofre uma pane e cai sobre o Saara. Sozinho e sem muitas opções, se vê obrigado a começar o conserto por si só, caso contrário, morreria de sede. Após uma noite dormindo no deserto, eis que surge um menino, o pequeno príncipe, despertando-o com uma doce voz. Para início de conversa, tudo que ele quer é que o piloto faça alguns desenhos e explique alguns dos seus diversos questionamentos. A partir daí, começamos a entender melhor a origem dessa criança tão intrigante e curiosa. 

Este livro eu li já na fase adulta, considero um desperdício todo o tempo que fiquei sem ler O Pequeno Príncipe. Antes de qualquer coisa, eu aprendi que cativar é um lance importante na vida e que o amor tem que ser maior que todos os defeitos existentes nesse mundo. Indique esse livro para qualquer pessoa que você conheça, acredito que todo mundo deveria conhecer essa história.


Bruna Domingos
Instagram: @brunadominngos

Crítica Comum | Aladdin: Live action cheio de magia e encanto


É surpreendente como é formado um hype, e como isso pode controlar toda a expectativa em cima de um filme antes mesmo de ser lançado. Quando saiu o primeiro teaser de Aladdin, houveram enormes críticas negativas acerca do aparência do Gênio (interpretado por Will Smith). Brevemente após o lançamento do trailer completo a aceitação ficou maior, mas ainda rendendo muito burburinho a respeito. Felizmente, a surpresa foi excelente logo após a primeira aparição dele no filme! A Disney quase nunca erra em efeitos especiais, ainda mais com um nome de peso estrelando um dos papéis mais chamativos.

Aladdin (Mena Massoud), como no desenho, é um menino pobre que necessita furtar para sobreviver. Por mais que tenha que furtar alguns alimentos e pequenos artefatos junto com o seu fiel escudeiro, macaco Abu, ele o faz sem maldade. Isso fica evidente ao ajudar a Princesa Jasmine (Naomi Scott) logo no início do filme. Reforçado pela necessidade de "sair" do ambiente atual, o casal é formado com a impossibilidade de dois extremos: A princesa e o plebeu. Após ser pego ao entrar ilegalmente no castelo para ver Jasmine, Aladdin é forçado por Ja'far (Marwan Kenzari) a buscar a lâmpada mágica. Bem, creio que a maioria de nós que crescemos num mundo de Rei Leão conhecemos bem a história, não é mesmo? Os detalhes vocês mesmos lembram, depois que o Gênio aparece a trama é bem humorada e magicamente contada. Aí que está a belíssima surpresa.

Efeitos Visuais
O trabalho de computação gráfica que podemos presenciar nos filmes atuais está possibilitando essa chuva de live actions que estamos vivendo. Dumbo, Aladdin, Rei leão; todos tomando sua forma real com animais perfeitamente criados em computador. Por mais que seu olho seja treinado (não é meu caso, mas tento), é muito difícil perceber diferenças entre um macaco real e o Abu, por exemplo. Eu repito isso aos meus amigos com frequência: Estamos vivendo uma excelente era de filmes muito bem feitos por CGI, e o futuro reserva cada vez mais a perfeição.

As cenas que o Gênio está envolvido, principalmente quando ele não está em sua forma "humana", são tão mágicas quanto no desenho. Em especial, a chegada do Aladdin como o "Príncipe Ali" é um verdadeiro carnaval MUITO BEM COREOGRAFADO e cheio de efeitos que aparentam ser reais feitos em computador (muita chuva de papel picado, animais exóticos, roupas coloridas, ouro, prata, pós coloridos). Para mim, é o melhor momento do filme. Logo adiante no climax, quando Ja'far toma todo o poder existente do mundo para ele, não há como a "animação" não fugir da realidade, mas isso é totalmente justificado visto que o personagem é um feiticeiro. O tapete mágico que também está presente (e que fica evidente ter uma alma infantil) é muito realista, por mais que o mesmo voe e carregue pessoas em suas costas. O Reino em que o filme se passa também é detalhadamente construído, as ruas e vielas com o tradicional estilo árabe antigo. Todos esses detalhes entram em um "padrão Disney de qualidade" que já é esperado em todo filme assinado por ela.

Trilha Sonora
Deixando de lado os primorosos efeitos visuais, a história do Aladdin é a mesma, com os mesmos ganchos que nos prendem à trama. Saber se Ja'far vai se safar (perdão pelo trocadalho rs), e se Jasmine perdoará Aladdin pelos meios que os aproximaram, e se o gênio vai ou não ser liberto. Em meio a tudo isso, as músicas que foram re-gravadas com uma pitada de hip-hop salientando o fato de que o personagem do Gênio é vivido por Will Smith, um ator negro e de forte influência, para mim é significado de representatividade e energia. Dá vontade de sair dançando junto com o Gênio em determinadas coreografias, como por exemplo na cena em que ele demonstra ao Aladdin o jeito que funciona os pedidos dos três desejos.

Versão dublada
O filme é composto de muitos momentos musicais, com músicas completamente coreografadas e cantadas, que a Disney tem o cuidadoso e belíssimo trabalho em criar versões locais para estas partes, obrigatoriamente com os mesmos atores que dublam os personagens. Eu assisti a versão dublada no cinema e não me arrependi em nenhum momento. É essa versão que eu vou comprar quando sair o blu-ray, pois é um trabalho incrível que necessita ser evidenciado cada vez mais. Parabéns ao estúdio TV Group Digital e ao diretor Thiago Longo! Pesquisando sobre o elenco da dublagem, O Aladdin é dublado por Daniel Garcia (Glória Groove); o Gênio é dublado por Márcio Simões, a mesma voz do Gênio das animações e que também já fez a voz de Will Smith em outros filmes como em "A procura da Felicidade". Jasmine foi dublada por Lara Suleiman conhecida por diversas peças musicais e Ja'Far é dublado por Marcelo Campos, a mesma voz de Traunks de Dragon Ball e Yugi de Yugi-oh.

Resumo
A Disney nunca está para brincadeira, e Aladdin 2019 é um filme extremamente vibrante, daqueles que dá vontade de abraçar. Um filme para toda a família, pois os jovens e adultos de 20, 30, 40 anos também pegaram a época do lançamento do filme em desenho; e as crianças necessitam da mensagem de que a busca incessante pelo poder é sempre o pior caminho a ser escolhido.

QUE FILME! Este é daqueles que dá  vontade de assistir de novo no cinema.


Fabrício Lopes
Instagram: @Fabrsim