13/05/2019

 

The Good Place: A filosofia debatida por Chidi


Criada por Michael Schur, The Good Place é uma série de televisão americana exibida pela NBC desde setembro de 2016. Ela nos traz muita filosofia com personagens caricatos e reais. Humor e sarcasmo também foram toques importantíssimos que construíram a narrativa da série. Eleanor Shellstrop, é a egoísta e antipática; Chidi Anagonye, professor de filosofia moral, é um indeciso que passa a vida afligindo as pessoas ao seu redor; Tahani Al-Jamil, filantrópica que faz o bem apenas para ganhar atenção e Jason Mendoza, um malandro extremamente estúpido. 

Todos eles se encontram após a morte achando que estão no Lugar Bom, mas Eleonor descobre que todo aquele cenário não passa de torturas psicológicas arquitetadas por Michael, um demônio do Lugar Ruim. A partir daí, os quatro personagens começam uma batalha entre o céu e o inferno para se manterem salvos. Há alguns plot twists durante os episódios das três temporadas, mas nada que torne a série cansativa ou chata, muito pelo contrário, você sempre quer saber o que vai acontecer. 

Como eu disse no início, há muita filosofia em The Good Place e isso me deixou um pouco reflexiva. Quem realmente merece estar no paraíso? Será que somos realmente bons ou estamos buscando ser bons para garantir nossa recompensa? Eu fiz duas enquetes sobre essas questões no meu Twitter e o resultado foi interessante. 87% das pessoas que votaram acreditam que sim, existem pessoas boas e 71% afirmaram não esperar algo em troca de uma atitude bondosa. Isso nos leva para uma das teorias filosóficas falada por Chidi. Tendo como referência o filósofo David Hume, é discutida a ideia de que você precisa acreditar em certas coisas, mesmo não podendo ver. Eu também entendo que isso descarta a ideia de causalidade e destaca a experiência de cada ser humano como fator principal para as crenças. Acreditar na bondade humana ou no amor é uma crença coletiva, mesmo sem poder observar todo mundo. 

Ser bom também nos leva a ter que fazer escolhas, neste ponto The Good Place nos coloca para refletir junto com Chidi sobre o “Dilema do Bonde”. Resumindo: Imagina que você está dirigindo um bonde, no seu caminho tem cinco pessoas presas nos trilhos, mas você pode mudar o rumo e encontrar uma única pessoa também presa nos trilhos. Há duas escolhas, matar cinco pessoas ou apenas uma. O que você faz?


Não há uma conclusão, a reflexão sobre este problema é se, de fato, existe uma resposta universal. Os utilitaristas diriam que a solução cabível é mudar o rumo e matar apenas uma pessoa, porém o pensamento complica quando coloca na discussão uma pessoa de importância nos trilhos. Ou seja, você mata a pessoa importante e deixa as cinco pessoas vivas, ou mata as cinco pessoas e mantém a pessoa importante viva? É muito difícil porque devemos considerar que a ética é universal, então se a sua primeira escolha foi matar uma única pessoa, isso não pode mudar, independente de quem esteja nos trilhos. Complexo, não é? 

Chidi não conseguiu uma conclusão para isso, sua personalidade indecisa foi um fator predominante, claro. Mas dá para supor que muitas pessoas se sentiriam balançadas com a mudança de situação. Imagina se a sua mãe está nos trilhos e depois de descobrir isso, não puder mudar de pensamento. Enfim, este debate é longo e não pode desconsiderar nenhum fator. É por isso que Chidi é tão caricato em suas indecisões, é o questionamento em pessoa. Ele perde oportunidades porque a sua filosofia moral o faz pensar demais antes de tomar decisões, o medo de se arrepender ou de prejudicar alguém é gigantesco. 

A 4ª temporada de The Good Place estréia ainda neste ano, esperamos que a história não fique cansativa. Nem todos assistem pela filosofia, mas ela é abordada de forma muito divertida e esse é um dos diferenciais.

Bruna Domingos
Instagram: @brunadominngos

3 comentários:

  1. Olá, Bruna.
    Eu amo essa série. Gostei bastante do assunto que você abordou. Acredito que não existem pessoas 100% altruístas, até porque crescemos sendo ensinados a fazer o bem e que o que fizermos vai retornar para nós. Então acredito que mesmo inconscientemente a pessoa faz o bem esperando ser recompensada sim.

    Prefácio

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  2. Amei sua resenha, ainda não conhecia essa série e confesso que achei a história super interessante. Já entrou para a minha lista!

    https://www.kailagarcia.com

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  3. Oi, Bruna!
    Eu amo demais essa série justamente por esses questionamentos que ela levanta.
    Beijos
    Balaio de Babados

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