22/05/2019

 

Resenha: As lendas de Dandara

O livro inicia com uma declaração importante da autora. “Embora muitas pessoas até ouçam falar de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares e homenageado em 20 de novembro, Dandara ainda permanece esquecida e ignorada”. 

Título: As lendas de Dandara
Autora: Jarid Arraes
Ilustração: Aline Valek
Editora de Cultura
Páginas: 128

Infelizmente nossa história sofreu muitas tentativas de apagamento em relação aos negros no Brasil. Há poucos registros dos nossos heróis pretos e o preconceito só os colocam como escravos e pobres coitados, mas os negros foram muito mais, tivemos heróis, pessoas que lutaram de verdade para que a exploração acabasse. Mas onde estão? Por que ninguém se importou em contar? Bom, acho que todos nós sabemos a resposta. 

Sentindo a necessidade de contribuir para a cultura brasileira, Jarid Arraes escreveu o livro As lendas de Dandara inspirado em seu próprio artigo, escrito para o dia 20 de novembro na revista Fórum, intitulado de “E Dandara dos Palmares, você sabe quem foi?”. É importante salientar que há fantasia na narrativa, mas uma coisa é certa: Dandara existiu, Dandara vive!

"A Dandara que imaginei e quero que as pessoas conheçam é uma mulher que rompe muitos paradigmas a respeito do que é um corpo de guerreira"

O céu estava incrédulo com o que estava acontecendo na África, os orixás tentavam cuidar de seus filhos como podiam, era necessário restabelecer o equilíbrio e passavam tempos se questionando como. Iansã visitava a terra e não gostava do que via, seus filhos eram vendidos como mercadoria e descartados como um objeto qualquer. Algo tinha que ser feito. 

Em uma reunião com todos os orixás, Iansã resolve criar uma guerreira para livrar seu povo da crueldade dos brancos. Após todos concordarem, uma nova esperança surge. Dandara, ainda bebê, é colocada no caminho de Bayô, que fugia da escravidão e sem saber, foi guiada por Iansã para chegar até o Quilombo dos Palmares.

Os anos vão se passando, Dandara cresce e se torna uma criança bastante ativa, nunca viu graça em afazeres domésticos e por mais que Bayô pegasse no seu pé, ela queria lutar como os guerreiros do quilombo, tinha sede por liberdade. E assim foi, após alguns acontecimentos Dandara foi descobrindo em si uma força mágica e um poder nunca visto antes entre os seus. Ela provou que podia ajudar a libertar os irmãos ainda presos na escravidão e começou a inspirar muitos quilombolas a lutar, inclusive Zumbi. 

Dandara enfrentou grandes senhores de fazenda, lutou e libertou escravos. Para a alegria dos orixás, ela cumpriu sua missão e foi uma das guerreiras que impulsionou o fim da escravidão no Brasil. 

Essa história me conquistou por diversos motivos, o primeiro é bem óbvio, Dandara é uma heroína negra. Quantas histórias de heróis negros eu já li? Poucas, mulher negra então, raro. Apagamento histórico é nome que damos a essa tragédia e é por isso que a cada dia que passa temos que continuar incentivando pessoas negras a crescer e registrar suas passagens. Dandara realmente existiu e lutou, a forma como Jarid deixou sua fantasia enredar o livro foi encantadora para mim. Os orixás também foram muito bem representados, quebrando todo preconceito com a cultura africana que injetam em nós quando ainda somos crianças. 

Temos aqui uma personagem completa e cheia de sentimentos, antes de qualquer coisa Dandara foi mulher. Mesmo com todas as fantasias da história, eu senti que podia me ver em alguém, em uma heroína. A lendas de Dandara é um livro extremamente fácil de ler e entender, mas é importante se atentar aos significados. Eu gostaria de ter sido apresentada a uma história como essa na minha época de escola, seria a minha leitura obrigatória. O livro também contém ilustrações de Aline Valek, os desenhos deram uma característica ainda maior e a capa está excepcional.

As lendas de Dandara foi minha leitura de março para o Desafio Leia Mulheres 2019 que comecei em janeiro, se quiser saber mais sobre o assunto é só clicar AQUI.

Bruna Domingos
Instagram: @brunadominngos

2 comentários:

  1. Olá, Bruna.
    Eu confesso que nunca ouvi falar dela. Infelizmente mesmo com a lei do fim da escravidão, o racismo não deixou de existir. Você citou os livros com personagens negros, mas e quanto aos autores, quantos autores negros a gente conhece? É uma realidade que tristemente está longe de mudar.

    Prefácio

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  2. Oi, Bruna!
    Gostei muito de saber mais sobre esse livro. Realmente não se vê muitas histórias com negros, ainda mais com heroínas negras..
    Beijos
    Balaio de Babados

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