Comfort series: Qual é a sua?

Todos nós temos aquele momento em que queremos assistir alguma coisa, mas sem o compromisso de prestar atenção, então, recorremos para as nossas "comfort series", ou em português: série de conforto. Este conceito é uma referência dada as séries que gostamos de assistir apenas para espairecer.

Não é maravilhoso chegar em casa e relaxar enquanto assiste a sua série favorita? Costumo fazer isso até quando estou triste, entrar na vida dos nossos personagens favoritos alivia um pouco a tensão da realidade.

Aqui eu selecionei três séries que fazem parte dos meus dias e dos dias de alguns amigos. Acredito que muita gente já as conheçam, mas caso você nunca tenha ouvido falar em algumas dessas, receba este post como uma indicação também. 

1 - My wife and kids
Traduzida como "Eu, a patroa e as crianças", essa série se tornou muito popular no Brasil através de um canal aberto de TV. Produzida pelos irmãos Wayans, a história se passa em Connecticut (EUA) e mostra a vida de um pai e marido protetor, que depois de muito trabalho, ficou rico com uma empresa de transporte. Os personagens principais são: Michael Richard Kyle (marido), Janet Marie Thomas Kyle ou somente Jay (esposa), Michael Richard Kyle Jr. ou somente Junior (filho mais velho), Claire Marie Kyle (filha do meio) e Kady Melissa Jheny Spilken Kyle (filha caçula). Há muito humor, sarcasmo e peripécias dos filhos. É uma série para assistir com a família inteira e se divertir junto com os personagens. Aqui em casa meus pais adoram e eu assisto junto com eles sempre que posso e sempre que quero assistir alguma coisa de boa.

2 - Friends
Friends é uma série americana que iniciou nos anos 1990 e terminou nos anos 2000, foram 10 temporadas de um sucesso que permanece até hoje. A série conta a história de seis amigos que costumam se encontrar em uma cafeteria para conversar e passar o tempo livre. Friends, que não ganhou tradução do nome no Brasil, mostra o amadurecimento e os amores de cada personagem durante as temporadas. Com muito humor e sarcasmo por parte do Chandler, o desenvolvimento da narrativa sempre foi algo que me prendeu bastante. Não me canso de assistir e é sempre o acalento dos dias mais pesados. Os personagens principais são: Phoebe Buffay (Lisa Kudrow), Monica Geller (Courteney Cox), Chandler Bing (Matthew Perry), Rachel Green (Jennifer Aniston), Joey Tribbiani (Matt LeBlanc) e Ross Geller (David Schwimmer).

3 - How I met your mother
Sempre que me perguntam qual é a minha série favorita, eu não consigo escolher entre How I met your mother e Friends. Aqui temos cinco amigos, que ao invés de se encontrarem em uma cafeteria, eles se encontram em um bar. Apesar das características semelhantes com a série citada acima, "Como eu conheci sua mãe", tradução no Brasil, tem uma narrativa totalmente diferente. A história se passa sob a perspectiva de Ted Mosby, que está contando aos filhos os acontecimentos que o levaram a conhecer sua esposa e mãe das crianças. Com bastante humor, também somos apresentados aos personagens que são os melhores amigos de Ted: Marshall Eriksen, Robin Scherbatsky, Lily Aldrin e Barney Stinson. Eles influenciaram bastante na trajetória do rapaz.

Bom, eu falei de série, mas tem pessoas que sentem essa ligação com filmes, jogos, livros ou músicas. E você? Tem algo que gosta de ver, ler ou ouvir quando está buscando relaxar? Comente com a gente!

Bruna Domingos
Instagram: @brunadominngos

Crítica Comum | Detetive Pikachu: A nostalgia dos adultos


Talvez ofuscado pelo estrondoso lançamento da Marvel nos cinemas neste ano, Detetive Pikachu passou despercebido no "hype" de filmes para serem assistidos no lançamento. Enquanto algumas pessoas ainda estavam aguardando uma boa data ou um lugar decente na sala do cinema para assistir o Ultimato, o filme mais recente dos monstros de bolso foi lançado mundialmente e o Brasil não ficou de fora.

Focado no público infanto-juvenil, o longa conta uma história com começo, meio e fim. Ele utiliza um contexto intenso, baseado no drama da separação entre pai e filho em uma cidade onde os pokémons se transformam em animais que aprenderam a conviver com os humanos de forma pacífica, sem a necessidade de serem aprisionados em pokebolas. O filme todo é baseado nesta cidade, e fora dela o mundo é basicamente a narrativa Pokémon original, na qual os adolescentes saem em sua própria jornada para se tornar um Mestre Pokémon. O começo do filme mostra um pouco disso, e mostra também o protagonista Tim Goodman indo para esta "cidade ideal".

O longa tinha tudo para ser mais um "sessão da tarde" da vida, porém a forma que a história é contada, juntamente com os efeitos visuais que estão incríveis, o tornam muito interessante, tanto para adultos que cresceram jogando Pokémon no Gameboy e assistindo os desenhos até para a faixa etária na qual o filme se destina. É impressionante o jeito que você se envolve na história, torcendo para o final feliz, e também para que sempre apareçam mais pokémons. O Pikachu está incrivelmente fofo, visualmente muito bem feito, e na minha modesta opinião a voz de Ryan Reynolds deu uma personalidade única ao Pikachu, que final das contas torna-se um viciado em café elétrico e é super prestativo.

O filme vale muito a pena se o seu objetivo é assistir um live action leve e descontraído, com as crianças ou sozinho mesmo. Vale ainda mais se você se encaixa na faixa etária 20 - 35 anos que cresceu com o universo de Pokémon na TV, no refrigerante, no salgadinho, no videogame... Sério, há muitas referências que me fizeram mergulhar em uma sessão nostálgica daquelas de aquecer o coração e agradecer por estar assistindo uma obra audiovisual de qualidade como este longa.

Aquela fantasia que tínhamos quando crianças imaginando como realmente seria encontrar um Cubone andando no meio da rua, livre para ser pego por qualquer treinador, ou então olhar para o céu e ver Pidgeys e Spearows voando; ter um Growlithe como seu "cachorro" de estimação... Então. É essa a sensação nostálgica que o filme entrega. São muitas referências visuais, sonoras, há uma cena impagável que o pikachu canta o tema de abertura do anime, aparecem muitos pokémons clássicos e alguns da nova geração. É um belíssimo fan service e eu agradeço muito que esse filme tenha sido produzido.

A representatividade do personagem principal ser interpretado por um ator negro (Justice Smith) é essencial para que as crianças que assistam o filme se sintam parte de um mundo mais diversificado, assim como a personagem feminina de maior destaque que é interpretada por Kathryn Newton não ter sido em nenhum momento sexualizada em suas roupas e esteriótipos. O caminho para os "novos heróis" no cinema tem sido direcionado pela força positiva que esse tipo de escolha de elenco dá. É muito confortável para nós, cidadãos comuns, trabalhadores e consumidores de conteúdo popular assistirmos algo que é interpretado por pessoas que se assemelham com a gente! Que o futuro nos traga mais filmes e séries assim.

Voltando ao filme em si, eu afirmo que: se há defeitos para a crítica midiática, eu não quero nem ler, pois eu assistiria esse filme novamente a qualquer momento. Foi divulgado recentemente que o filme terá continuidade! E eu espero que desta vez ele seja lançado em uma semana longe de algum outro possível lançamento de sucesso.


QUE FILME! Este é daqueles que dá  vontade de assistir de novo no cinema.


Fabrício Lopes
Instagram: @Fabrsim

Resenha: As lendas de Dandara

O livro inicia com uma declaração importante da autora. “Embora muitas pessoas até ouçam falar de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares e homenageado em 20 de novembro, Dandara ainda permanece esquecida e ignorada”. 

Título: As lendas de Dandara
Autora: Jarid Arraes
Ilustração: Aline Valek
Editora de Cultura
Páginas: 128

Infelizmente nossa história sofreu muitas tentativas de apagamento em relação aos negros no Brasil. Há poucos registros dos nossos heróis pretos e o preconceito só os colocam como escravos e pobres coitados, mas os negros foram muito mais, tivemos heróis, pessoas que lutaram de verdade para que a exploração acabasse. Mas onde estão? Por que ninguém se importou em contar? Bom, acho que todos nós sabemos a resposta. 

Sentindo a necessidade de contribuir para a cultura brasileira, Jarid Arraes escreveu o livro As lendas de Dandara inspirado em seu próprio artigo, escrito para o dia 20 de novembro na revista Fórum, intitulado de “E Dandara dos Palmares, você sabe quem foi?”. É importante salientar que há fantasia na narrativa, mas uma coisa é certa: Dandara existiu, Dandara vive!

"A Dandara que imaginei e quero que as pessoas conheçam é uma mulher que rompe muitos paradigmas a respeito do que é um corpo de guerreira"

O céu estava incrédulo com o que estava acontecendo na África, os orixás tentavam cuidar de seus filhos como podiam, era necessário restabelecer o equilíbrio e passavam tempos se questionando como. Iansã visitava a terra e não gostava do que via, seus filhos eram vendidos como mercadoria e descartados como um objeto qualquer. Algo tinha que ser feito. 

Em uma reunião com todos os orixás, Iansã resolve criar uma guerreira para livrar seu povo da crueldade dos brancos. Após todos concordarem, uma nova esperança surge. Dandara, ainda bebê, é colocada no caminho de Bayô, que fugia da escravidão e sem saber, foi guiada por Iansã para chegar até o Quilombo dos Palmares.

Os anos vão se passando, Dandara cresce e se torna uma criança bastante ativa, nunca viu graça em afazeres domésticos e por mais que Bayô pegasse no seu pé, ela queria lutar como os guerreiros do quilombo, tinha sede por liberdade. E assim foi, após alguns acontecimentos Dandara foi descobrindo em si uma força mágica e um poder nunca visto antes entre os seus. Ela provou que podia ajudar a libertar os irmãos ainda presos na escravidão e começou a inspirar muitos quilombolas a lutar, inclusive Zumbi. 

Dandara enfrentou grandes senhores de fazenda, lutou e libertou escravos. Para a alegria dos orixás, ela cumpriu sua missão e foi uma das guerreiras que impulsionou o fim da escravidão no Brasil. 

Essa história me conquistou por diversos motivos, o primeiro é bem óbvio, Dandara é uma heroína negra. Quantas histórias de heróis negros eu já li? Poucas, mulher negra então, raro. Apagamento histórico é nome que damos a essa tragédia e é por isso que a cada dia que passa temos que continuar incentivando pessoas negras a crescer e registrar suas passagens. Dandara realmente existiu e lutou, a forma como Jarid deixou sua fantasia enredar o livro foi encantadora para mim. Os orixás também foram muito bem representados, quebrando todo preconceito com a cultura africana que injetam em nós quando ainda somos crianças. 

Temos aqui uma personagem completa e cheia de sentimentos, antes de qualquer coisa Dandara foi mulher. Mesmo com todas as fantasias da história, eu senti que podia me ver em alguém, em uma heroína. A lendas de Dandara é um livro extremamente fácil de ler e entender, mas é importante se atentar aos significados. Eu gostaria de ter sido apresentada a uma história como essa na minha época de escola, seria a minha leitura obrigatória. O livro também contém ilustrações de Aline Valek, os desenhos deram uma característica ainda maior e a capa está excepcional.

As lendas de Dandara foi minha leitura de março para o Desafio Leia Mulheres 2019 que comecei em janeiro, se quiser saber mais sobre o assunto é só clicar AQUI.

Bruna Domingos
Instagram: @brunadominngos

Crítica Comum: Em defesa das opiniões normais


Vamos imaginar uma situação hipotética baseada em fatos da minha realidade: Você assistiu um trailer que te deixou muito empolgado para ver o filme. Em seguida, entrou em vários portais buscando informações sobre o lançamento e curiosidades sobre a produção, atores, cenários. Há uma boa expectativa, tanto da mídia tradicional quanto sua e dos seus amigos, e... BUM! O filme é lançado. Todos os veículos de maior destaque recebem convites para assistir o filme uma semana antes do lançamento, e aí vem o balde de água fria: A crítica.

É quase inexistente uma crítica de um site ou jornal especializado que seja exatamente aquilo que você vivenciou no cinema, e eu vou tentar te explicar o porquê.

Os críticos estão acostumados a assistir os filmes com um olhar técnico, e em quase todas as vezes o coração é deixado de lado. Aparentemente a busca é incessante por notar "roteiros furados" ou "erros de computação gráfica" que um simples filme com o objetivo de entreter acaba se tornando uma frustração para você. Você entra na sala do cinema sem intenção nenhuma, já que não se aguentou e leu a crítica (com ou sem spoilers) dizendo que o filme que você tanto esperou possivelmente é ruim.

Agora eu te questiono: O filme realmente foi ruim como a crítica disse?


Você gostou do filme! Isso não é ótimo? Mas espera um pouco, a maioria dos sites estão falando o contrário. "Faltou um desfecho, faltou um arco que fosse mais intenso no desenvolvimento dos personagens". E agora? Devo aceitar isso ou defender que o filme que eu assisti é bom sim e vale a pena? Que dúvida cruel! 

Cansado desta patifaria gratuita e ordinária que acontece em todo lançamento, eu resolvi escrever críticas comuns dos filmes que eu assisto. Eu vou ao cinema por diversão, e se eu compro ingresso no início da pré-venda de um filme que eu estou esperando muito para assisti-lo na pré-estreia, não é apenas para escrever o mais rápido possível a minha ~crítica cinematográfica super técnica e cheias de pontos negativos~ mas sim para simplesmente dizer se o filme vale a pena.

Sabemos que existem filmes que não valem o valor da meia entrada paga no cinema, e há filmes que não valem nem o esforço da procura por um torrent em rmvb. Também existem filmes que ficariam bons se fossem transmitidos apenas numa "sessão da tarde" da vida, porém há aquelas produções tão boas que valem a pena assistir novamente em Blu-Ray 4K UHD com o home theater no talo e filmes tão bons que é quase obrigação ir novamente no cinema para assisti-lo enquanto esta verdadeira obra prima está em cartaz.

Então, as poucas "críticas" que foram escritas neste blog por mim eu renomeei para "Crítica Comum", o que fica mais fácil de procurar, e atribuí uma nota em uma escala de 1 a 5 baseada no parágrafo anterior.




LIXO! Este filme é tão ruim que não merece NENHUMA atenção.




RUIM DEMAIS! Esse filme não vale um torrent em .3gp 144p.



DE MAL A PIOR!  Vale uma meia entrada no dia mais barato do cinema e olhe lá.



BOM FILME! Se um dia passar na TV e eu estiver de bobeira, assistirei novamente.



EXCELENTE! Vale a pena gastar internet para assistir novamente em boa qualidade.



QUE FILME! Este é daqueles que dá  vontade de assistir de novo no cinema. 



ESTRELA DE HONRA! Este filme é tão bom, é tão épico que dificilmente será superado.



A vida é assim, só é complicada se nós quisermos. Então são 5 simples notas que pretendo dar para as críticas a partir de agora. Textos simples, escritos por uma pessoa NORMAL assim como você. É como conversar com o seu amigo (...) "e aí, você gostou ou não desse filme?" Nossa voz é tão importante quanto qualquer especialista em cinéfilo recheado de preceitos. 


Fabrício Lopes
Instagram: @Fabrsim

Empoderamento é para todas

Empoderamento feminino. Dá para pensar em muitas coisas quando ouvimos ou lemos sobre essas duas palavras. Elas incomodam muita gente, incomodam porque descentraliza privilégios. Mas o que esse termo significa de fato?

No livro "Quem tem medo do feminismo negro?", Djamila Ribeiro explica que o empoderamento não pode ser autocentrado ou transferência de poder, mas uma criação de mecanismos que combatem problemas coletivos. Exemplos simples: ficar atentos aos xingamentos machistas que são transmitidos pelos amigos ou naturalizados por crianças, promover ações antirracistas e movimentos que auxiliam mulheres vítimas de violência (física e psicológica) ou que estão enfrentando problemas mais específicos.

A partir do momento em que estamos em um lugar de privilégio, temos que ter consciência do nosso papel perante a sociedade. Juntas podemos conquistar mais espaços e entender que sororidade não se trata de empoderar apenas uma bolha, mas dar voz para TODAS.

Empoderar  não é apenas se olhar no espelho e achar que o seu cabelo natural está lindo, mas aceitar que todas nós temos dias bons e ruins. É claro que cada ser humano tem suas particularidades e nossas conquistas diárias também são empoderamento. Nossa missão é incentivar mais mulheres através de nossas vitórias, respeitando o lugar de cada uma. Isso também é feminismo.

É incrível poder ver mulheres ocupando diversos segmentos. Até o século passado, por exemplo, a literatura era dominada pelos homens, além de escrever, eles tinham autonomia para serem críticos. Se você já assistiu o filme sobre Sidonie-Gabrielle Colette, pode ter uma ideia do tamanho das injustiças que sempre assombraram as mulheres na literatura e em outras artes. Mas agora somos muitas, somos jornalistas, escritoras, artistas, advogadas, médicas, vendedoras, atendentes, empresárias, engenheiras, e acima de tudo, somos independentes.

Precisamos, juntas, criar mais espaços e formas de empoderar outras mulheres. Criar laços e incentivar o crescimento. Quando conhecemos os nossos potenciais, a única tendencia é conquistar e nunca admitir que tirem isso de nós.

"Empoderamento é a busca pelo direito à autonomia por suas escolhas, por seu corpo, por sua sexualidade" - Djamila Ribeiro

Bruna Domingos
Instagram: @brunadominngos

The Good Place: A filosofia debatida por Chidi


Criada por Michael Schur, The Good Place é uma série de televisão americana exibida pela NBC desde setembro de 2016. Ela nos traz muita filosofia com personagens caricatos e reais. Humor e sarcasmo também foram toques importantíssimos que construíram a narrativa da série. Eleanor Shellstrop, é a egoísta e antipática; Chidi Anagonye, professor de filosofia moral, é um indeciso que passa a vida afligindo as pessoas ao seu redor; Tahani Al-Jamil, filantrópica que faz o bem apenas para ganhar atenção e Jason Mendoza, um malandro extremamente estúpido. 

Todos eles se encontram após a morte achando que estão no Lugar Bom, mas Eleonor descobre que todo aquele cenário não passa de torturas psicológicas arquitetadas por Michael, um demônio do Lugar Ruim. A partir daí, os quatro personagens começam uma batalha entre o céu e o inferno para se manterem salvos. Há alguns plot twists durante os episódios das três temporadas, mas nada que torne a série cansativa ou chata, muito pelo contrário, você sempre quer saber o que vai acontecer. 

Como eu disse no início, há muita filosofia em The Good Place e isso me deixou um pouco reflexiva. Quem realmente merece estar no paraíso? Será que somos realmente bons ou estamos buscando ser bons para garantir nossa recompensa? Eu fiz duas enquetes sobre essas questões no meu Twitter e o resultado foi interessante. 87% das pessoas que votaram acreditam que sim, existem pessoas boas e 71% afirmaram não esperar algo em troca de uma atitude bondosa. Isso nos leva para uma das teorias filosóficas falada por Chidi. Tendo como referência o filósofo David Hume, é discutida a ideia de que você precisa acreditar em certas coisas, mesmo não podendo ver. Eu também entendo que isso descarta a ideia de causalidade e destaca a experiência de cada ser humano como fator principal para as crenças. Acreditar na bondade humana ou no amor é uma crença coletiva, mesmo sem poder observar todo mundo. 

Ser bom também nos leva a ter que fazer escolhas, neste ponto The Good Place nos coloca para refletir junto com Chidi sobre o “Dilema do Bonde”. Resumindo: Imagina que você está dirigindo um bonde, no seu caminho tem cinco pessoas presas nos trilhos, mas você pode mudar o rumo e encontrar uma única pessoa também presa nos trilhos. Há duas escolhas, matar cinco pessoas ou apenas uma. O que você faz?


Não há uma conclusão, a reflexão sobre este problema é se, de fato, existe uma resposta universal. Os utilitaristas diriam que a solução cabível é mudar o rumo e matar apenas uma pessoa, porém o pensamento complica quando coloca na discussão uma pessoa de importância nos trilhos. Ou seja, você mata a pessoa importante e deixa as cinco pessoas vivas, ou mata as cinco pessoas e mantém a pessoa importante viva? É muito difícil porque devemos considerar que a ética é universal, então se a sua primeira escolha foi matar uma única pessoa, isso não pode mudar, independente de quem esteja nos trilhos. Complexo, não é? 

Chidi não conseguiu uma conclusão para isso, sua personalidade indecisa foi um fator predominante, claro. Mas dá para supor que muitas pessoas se sentiriam balançadas com a mudança de situação. Imagina se a sua mãe está nos trilhos e depois de descobrir isso, não puder mudar de pensamento. Enfim, este debate é longo e não pode desconsiderar nenhum fator. É por isso que Chidi é tão caricato em suas indecisões, é o questionamento em pessoa. Ele perde oportunidades porque a sua filosofia moral o faz pensar demais antes de tomar decisões, o medo de se arrepender ou de prejudicar alguém é gigantesco. 

A 4ª temporada de The Good Place estréia ainda neste ano, esperamos que a história não fique cansativa. Nem todos assistem pela filosofia, mas ela é abordada de forma muito divertida e esse é um dos diferenciais.

Bruna Domingos
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